Defensoria Pública de Minas Gerais

Igualdade e cidadania para todos


Defensora pública debate violência doméstica na PUC Minas


Por Ascom em 23 de maio de 2019

O Brasil está entre os países com maior índice de homicídios femininos, ocupando a quinta posição em um ranking de 83 nações. Os homicídios de mulheres negras aumentaram 54% em dez anos. A cada sete segundos uma mulher é vítima de violência física.

Para debater o grave problema da violência contra a mulher, a defensora pública de Minas Gerais Samantha Vilarinho de Mello Alves, coordenadora em exercício da Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos da Mulher em Situação de Violência (Nudem-BH), participou de uma roda de conversa sobre a temática realizada durante o 12º Simpósio de Pedagogia promovido pela PUC Minas. A atividade aconteceu no dia 21 de maio.

Defensora pública Samantha Vilarinho

Antecedendo a roda de conversa e integrando a 2ª edição o Protejo Viva, Mulher!, o Grupo de Teatro Morro Encena apresentou o espetáculo “Anjos”.

Tendo como fio condutor o amor e a relação de cumplicidade entre uma mãe e sua filha, a peça narra de forma poética e sensorial a história de uma mulher em situação de violência doméstica, propondo uma reflexão sobre os conflitos, dores e perigos vivenciados nessas circunstâncias.

Com um auditório cheio e tocado pela sensibilidade e beleza do espetáculo, o tema foi debatido pela defensora pública Samantha Vilarinho; pela coordenadora do Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Benvinda), da Prefeitura de Belo Horizonte, Kate Rocha; e pela chefe de cozinha Francisca da Silva. Xica da Silva, como gosta de ser chamada, superou a violência doméstica e hoje é empreendedora. A conversa foi mediada pela estudante de Pedagogia e atriz do Grupo Morro Encena, Andresa Romão.

A importância da prevenção foi reforçada pela defensora pública Samantha Vilarinho, que forneceu informações sobre a violência de gênero, os tipos de violência e a Lei Maria da Penha.

Samantha Vilarinho falou ainda sobre o atendimento da Defensoria Especializada na Defesa dos Direitos da Mulher em Situação de Violência e divulgou a campanha deste ano da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep) – “Em Defesa Delas: defensoras e defensores públicos pela garantia dos direitos das mulheres”.

A coordenadora do Benvinda, Kate Rocha, destacou a relação de desigualdade de gênero em uma sociedade predominantemente patriarcal, machista e capitalista como origem e contexto da violência contra a mulher e também frisou a importância da prevenção e de se buscar ajuda para romper com o ciclo da violência.

Kate Rocha explicou a função do Benvinda, seu funcionamento, como acessá-lo e falou também sobre outros equipamentos públicos específicos para o atendimento à mulher.

Mediadora Andresa Romão; coordenadora do Benvinda, Kate Rocha; chefe de cozinha Xica da Silva; e a defensora pública Samantha Vilarinho

“Eu sobrevivi ao feminicídio”. Com essas palavras, a chefe de cozinha Xica da Silva começou seu relato de superação da violência. Foram dez anos de união com um homem que a agredia e a mantinha “em cárcere privado”.

Em 1999, Xica decidiu dar um basta e procurou a Benvinda, onde encontrou apoio psicológico e assistencial, sendo encaminhada com as três filhas para um abrigo.

Mas, como várias mulheres, ela decidiu voltar para casa e reatar com o marido. Não imaginava que o mais drástico estava por vir: o marido provocou intencionalmente um acidente de carro com toda a família. Por causa da batida, Xica ficou com o rosto todo cortado por vidros e perdeu um olho. “Foram 88 pontos no rosto e dez no olho”, contou.

Depois disso, ela buscou ajuda novamente, decidiu mudar de vida e se juntar a outras mulheres que também passaram por situações semelhantes de violência. Juntas, elas criaram um bufê, conseguiram gerar renda e dar a volta por cima.

Mesmo reconhecendo e tendo vivido na pele a dificuldade de romper o ciclo da violência, Xica ressaltou a importância de não se calar. “Eu vivia uma vida terrível dentro de casa, porque eu apanhava, e uma vida horrível fora de casa, porque eu tinha que fingir. Se ele der o primeiro tapa, denuncie! Não pense que vai mudar”, finalizou.

Equipe do Morro Encena. O grupo de teatro de rua e espaços alternativos atua com peças que, preferencialmente, reflitam sobre os direitos humanos e falem sobre a realidade social das periferias e gênero. É formado, em sua maioria por atrizes negras que residem no Aglomerado da Serra

 Fonte: Ascom / DPMG



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