Defensoria Pública de Minas Gerais

Igualdade e cidadania para todos


“Sala de Espera” fala sobre abandono e violência da mulher paciente de câncer


Por Ascom em 11 de março de 2016

“A violência e o abandono da mulher portadora de câncer” foi o tema da edição do Projeto “Sala de Espera – Oficinas de Cidadania” desta quinta-feira (10/03). A vice-presidente do Lar, Tereza de Jesus e assistente social, Shirley Pereira dos Santos Vieira, e a também assistente social do Lar, Flávia Miquelino, conversaram com os assistidos que aguardavam atendimento nas Unidades I e II, da DPMG, na Capital.

Ao falar sobre os tipos de violência sofridos pelas mulheres diagnosticadas com câncer, as assistentes relataram que a primeira violência é provocada pela própria mulher, que, na maioria das vezes, tenta ignorar e negar o problema. Em um segundo momento, ela e também os filhos, acreditam que a doença a levará ao falecimento. Também no trabalho, a mulher tenta esconder a doença, por medo de preconceito e receio de ser demitida. As assistentes sociais enfatizaram a importância de se desmistificar a ideia da finitude que a doença carrega. “A doença tem cura. Quanto antes for diagnosticada, maiores as chances de cura”, afirmaram.

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Assistentes sociais, Shirley Pereira e Flávia Miquelino, e a defensora pública, Eliane Medeiros, que está à frente do projeto

Shirley Pereira e Flávia Miquelino explicaram que, muitas vezes, o marido ou companheiro não oferece seu apoio à mulher, abandonando-a, no momento em que ela mais precisa. “A doença traz muitas mudanças, físicas e psicológicas e são muitas as perdas que têm que ser enfrentadas, como a amputação de membros e perda de cabelo. As mulheres têm que sair de suas casas, para fazer o tratamento, além do medo da doença. Conviver com tudo isso, sem o apoio dos familiares, é muito difícil”. As profissionais convidaram os presentes a refletirem se essa situação é justa com a comunidade feminina, com a mãe dos filhos, aquela que construiu a família.

Segundo Flávia e Shriley, as estatísticas revelam que, de cada 100 mulheres com câncer, 20 são abandonadas definitivamente pelos maridos, enquanto, de cada 100 homens com a doença, apenas três são abandonados pelas mulheres. Shirley Pereira relatou que, em nove anos de experiência no Lar Tereza de Jesus, conheceu apenas um marido, que acompanhou a esposa durante o tratamento.

As assistentes sociais alertaram os presentes que o câncer não tem idade e nem sexo, podendo atingir qualquer pessoa; e aconselharam os assistidos a olhar o cônjuge como um ser humano e que, quem abandona hoje, pode ser abandonado amanhã. Orientaram os presentes a prestarem atenção em seus corpos e a ficarem atentos a sintomas, e lembraram novamente que, quanto antes o diagnóstico for feito e, o tratamento iniciado, maiores as chances de cura.

Lar Teresa de Jesus

Shirley Pereira e Flávia Miquelino explicaram o trabalho desenvolvido pelo Lar Teresa de Jesus, que é uma instituição filantrópica, não governamental, com atendimento gratuito às pessoas em situação de vulnerabilidade social em tratamento do câncer, vindas do interior de Minas para atendimento na rede pública hospitalar de Belo Horizonte. Em 17 anos de atividade, o Lar já acolheu mais de 18 mil pacientes, entre eles, 10.200 mulheres.

O Lar Teresa de Jesus é mantido por meio de doações e serviços voluntários. A instituição está localizada na Avenida do Contorno, nº 9297, Bairro Prado, na Capital.



Transparência

O que é?

O objetivo dessa sessão é permitir o acesso transparente, rápido e fácil aos documentos e informações relacionadas à Execução Orçamentária e Financeira, Licitações, Contratos e Convênios.

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